Entenda por que o PT não terá candidato a governador no RS pela primeira vez na história

  • 15/08/2026
(Foto: Reprodução)
Entenda por que o PT não terá candidato a governador no RS pela primeira vez na história Pela primeira vez desde sua fundação, em 1980, o Partido dos Trabalhadores não terá candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul. Edegar Pretto, que representou o partido nas eleições de 2022 e não chegou ao segundo turno por 2,4 mil votos, será candidato a vice na chapa de Juliana Brizola (PDT) no pleito deste ano. A decisão foi tomada em Brasília, em um acordo firmado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dirigente nacional do PT, Edinho Silva, com o PDT de Carlos Lupi e o PSB de João Campos. A estratégia foi ter um palanque único para a campanha de Lula nos estados. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O PT gaúcho pretendia ter candidatura própria e lançou Edegar como o pré-candidato do partido. Em plena pré-campanha, o diretório estadual buscou negociar com os dirigentes da sigla e foi firme na posição de manter o petista como cabeça de chapa. O comando nacional não cedeu. O PDT apoia candidaturas petistas em 12 estados, contando o Distrito Federal. Em troca, os pedetistas pediram apoios em dois estados — e a candidatura da neta de Leonel Brizola no Rio Grande do Sul era uma prioridade. Lula pode intervir nas eleições do RS? Entenda negociações entre PT e PDT As negociações para a construção da aliança provocaram uma crise no PT gaúcho, que insistiu em ter candidato a governador e sofreu uma intervenção inédita do diretório nacional. No final das contas, pesou o interesse na reeleição de Lula. “Em condições normais, o PT-RS apresentaria candidato próprio. Mas, como é do interesse do presidente Lula a aproximação com o PDT, e um dos estados que o PDT ainda tenha uma certa força é o RS, isso levou a essa aliança, ainda que a contragosto de algumas das lideranças do próprio PT estadual”, analisa Rodrigo Stumpf Gonzalez, cientista político e professor da UFRGS. O PT já governou o Rio Grande do Sul em duas oportunidades, com Olívio Dutra (1999-2002) e com Tarso Genro (2011-2014), além de ter conquistado a prefeitura de Porto Alegre em quatro eleições seguidas, governando a capital gaúcha entre 1989 e 2004. O estado também foi uma das bases para o nascimento do partido, em 1980. “O PT, desde 2018, quando foi derrotado nas urnas, começou a mudar parte da sua estratégia, e observou que, para conquistar a presidência, era preciso promover recursos em alguns estados, deixando de ter candidatos a governador e aplicando apoio a candidatos do espectro da esquerda”, explica Paulo Ramirez, cientista político e professor do curso de Ciências Sociais e do Consumo da ESPM. “Fora todo o desgaste do PT no Sul do país, no RS, em Santa Catarina. Diante dessa aversão, o PT se deu conta que seria muito mais interessante garantir apoio de eventuais aliados eleitos do que necessariamente promover suas próprias campanhas”, completa. Histórico de candidaturas do PT e do PDT ao governo do RS Arte/g1 Desde que Tarso Genro deixou o Palácio Piratini, o PT não passou mais do primeiro turno de uma eleição para governador. Já são duas eleições — 2018 e 2022 — vendo adversários de centro, centro-direita e direita disputando o segundo turno. Neste pleito de 2026, a dobradinha PDT-PT desponta como uma das principais candidaturas da eleição gaúcha, segundo recentes pesquisas de intenção de voto, com chances de chegar até a etapa decisiva da eleição. “No RS, o PDT tem um eleitorado mais ao centro, inclusive à centro-direita. Isso favorece, senão a possibilidade de vitória — que também é uma possibilidade real — um palanque para o presidente Lula no RS que tenha a atração de um eleitorado mais de centro, particularmente no interior do estado”, vê Gonzalez. “No caso de haver um segundo turno nacional, uma aliança local que possa ir ao segundo turno, mesmo que não seja vitoriosa, também favorece ter um palanque. Uma candidatura pura do PT poderia ficar fora do segundo turno e deixar o Lula orfão no RS”, complementa. Os dirigentes do PDT e PT no estado celebram a decisão de um palanque único após rusga inicial, quando o Partido dos Trabalhadores rechaçava a proposta. “É muito importante essa visão que se criou na eleição a partir de um cenário nacional e que acabou se estendendo para o RS. A candidatura da Juliana é muito competitiva e o entendimento do PT, tanto nacional quanto local, foi de criar uma aliança com amplitude que vai do centro-esquerda até a esquerda. Essa amplitude dá uma enorme capacidade eleitoral e amplia os horizontes políticos”, afirma o presidente estadual do PDT e prefeito de Osório, Romildo Bolzan Jr. "Tem um valor histórico. Essa articulação toda foi feita a partir de uma leitura correta de que esta eleição é nacionalizada. Precisamos estar com as campanhas do estado extremamente afinadas com a campanha nacional. Ter aqui a aliança com o PDT faz parte dessa coesão nacional articulada a partir da direção nacional do PT, do PDT, do PSB e do próprio presidente Lula", complementa Valdeci Oliveira, deputado estadual e presidente do PT Carlos Lupi, presidente nacional do PDT; Juliana Brizola, pré-candidata pedetista ao governo do RS; e o presidente Lula, do PT. Ricardo Stuckert/PR VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/08/15/entenda-por-que-o-pt-nao-tera-candidato-a-governador-no-rs-pela-primeira-vez-na-historia.ghtml


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